Viajar de moto para outro país exige alguns cuidados que começam muito antes de cruzar a fronteira. Documentos pessoais, habilitação, seguros e exigências para circulação da motocicleta podem variar de um destino para outro.
Para facilitar seu planejamento, reunimos neste guia as principais informações sobre o que é necessário para viajar de moto à Bolívia, evitando surpresas que possam comprometer sua viagem.
Atualizamos estas informações com base em fontes oficiais e de grande circulação até outubro/2026. As normas podem mudar, então recomendamos confirmar tudo na hora de viajar.
1. Entrada no país por via terrestre
- Brasileiros não precisam de visto para entrar como turistas.
- Basta o RG brasileiro (emitido há menos de 10 anos, em bom estado e com foto atual) ou o passaporte válido, de preferência com validade mínima de 6 meses. A CNH não vale como documento de identidade.
- A permanência é de até 90 dias, prorrogável por mais 90, a critério da Migración Boliviana.
- Guarde o comprovante de entrada (boleta ou carimbo) emitido na fronteira. Ele será exigido na saída, e perdê-lo gera multa.
- Podem ser pedidos comprovante de hospedagem, passagem de retorno e meios financeiros.
2. Entrada com a motocicleta
- A moto entra pelo regime de Admissão Temporária (Vehículos de Turismo), junto à Aduana Nacional.
- Os documentos obrigatórios são:
- documento de identidade (RG ou passaporte);
- CNH física (a versão digital não é aceita);
- CRLV original (documento de propriedade);
- formulário SIVETUR (Formulário 249/A para veículos do Brasil), preenchido no site da Aduana Nacional ou no posto fronteiriço.
- Se a moto não está no nome de quem conduz, é necessária uma autorização notarial, de preferência com firma reconhecida ou no formulário do Consulado da Bolívia.
- O prazo da moto no país normalmente é de até 90 dias, e em alguns postos pode ser menor que o prazo migratório.
- O condutor deve ser o proprietário ou estar acompanhado dele, ou então ter autorização formal.
3. Pilotar no país
- A CNH brasileira física vale para turistas.
- A PID (Permissão Internacional para Dirigir) não é obrigatória por norma, mas recomendamos fortemente levá-la. Há relatos de fiscalizações que a exigem, principalmente em Santa Cruz e outras regiões.
- Existe um acordo bilateral de reconhecimento de habilitações, mas a aplicação prática para turistas ainda varia.
4. Seguros pessoais
- Seguro de saúde ou de viagem não é obrigatório para entrar.
- Recomendamos fortemente contratar um. A Bolívia não oferece atendimento médico gratuito a turistas, nem em emergências.
5. Seguro da moto
- A Carta Verde (Seguro de Responsabilidade Civil Mercosul) é exigida ou fortemente recomendada. A Bolívia aderiu ao Mercosul, mas a implementação plena ainda varia.
- O seguro deve cobrir danos a terceiros (pessoas e bens).
- Não há seguro local obrigatório do tipo SOAT para veículos estrangeiros em admissão temporária, mas a falta de seguro internacional pode causar problemas em fiscalizações ou acidentes.
6. Equipamentos específicos
- O casco é obrigatório para piloto e garupa.
- Os equipamentos de segurança exigidos no veículo são: kit de primeiros socorros, 2 triângulos, extintor, estepe, macaco e chave de roda.
- Não há exigência nacional generalizada de colete refletivo. Recomendamos muito o uso, principalmente em estradas de terra e à noite.
7. Exigências sanitárias
- A vacina contra febre amarela é exigida ou fortemente controlada, principalmente se o viajante vem de zonas de risco do Brasil ou pretende visitar áreas de baixa altitude (Oriente boliviano, Beni, Pando, Santa Cruz, Amazônia etc.).
- É preciso apresentar o Certificado Internacional de Vacinação (CIVP), e a dose deve ter sido aplicada pelo menos 10 dias antes.
- Hoje não há exigência generalizada de vacina contra Covid-19, mas ela pode ser pedida em alguns postos.
8. Outras exigências
- O registro migratório na entrada é obrigatório. Não pule o posto de Migración.
- O formulário SIVETUR do veículo também precisa ser preenchido.
- Comprovação de meios financeiros e de hospedagem pode ser pedida.
- As fronteiras terrestres fecham para o almoço e à noite, então verifique os horários com antecedência.
9. Observações
- As fronteiras mais usadas por brasileiros são Corumbá/Puerto Quijarro e Guajará-Mirim/Guayaramerín. O processo pode ser burocrático e lento.
- A falta do comprovante de entrada migratória ou do registro do veículo no SIVETUR é o que mais gera problemas.
- Leve sempre os documentos físicos (RG ou passaporte, CNH, CRLV, Carta Verde e CIVP de febre amarela).
- A Bolívia tem fiscalização rigorosa e multas elevadas por irregularidades migratórias ou documentais.
- Recomendamos seguro viagem com cobertura médica alta e, se possível, assistência 24 horas.
ATENÇÃO: as informações podem mudar, então confirme nos sites oficiais perto da data da viagem. E lembre-se: VOCÊ é o responsável pelo sucesso de sua viagem!
Fontes principais que consultamos
- Consulado-Geral do Brasil em Santa Cruz de la Sierra e Puerto Quijarro (gov.br)
- Dirección General de Migración (DIGEMIG), Bolívia
- Aduana Nacional de Bolivia (SIVETUR e Vehículos de Turismo)
- Orientações oficiais sobre vacina de febre amarela e documentos de entrada
- Informações consulares brasileiras sobre entrada de veículos



