Viajar de moto para outro país exige alguns cuidados que começam muito antes de cruzar a fronteira. Documentos pessoais, habilitação, seguros e exigências para circulação da motocicleta podem variar de um destino para outro.
Para facilitar seu planejamento, reunimos neste guia as principais informações sobre o que é necessário para viajar de moto ao Chile, evitando surpresas que possam comprometer sua viagem.
Atualizamos estas informações com base em fontes oficiais e de grande circulação até outubro/2026. As normas podem mudar, então recomendamos confirmar tudo na hora de viajar.
1. Entrada no país por via terrestre
- Brasileiros não precisam de visto para entrar como turistas.
- Basta o RG brasileiro (emitido há menos de 10 anos, em bom estado de conservação e com foto que identifique o titular) ou o passaporte válido. A CNH não vale como documento de identidade.
- A permanência é de até 90 dias, prorrogável por mais 90, mediante solicitação e pagamento de taxa.
- A PDI pode pedir comprovante de hospedagem, passagem de retorno ou de continuação da viagem e comprovação de meios financeiros (referência aproximada de US$ 46 por dia).
2. Entrada com a motocicleta
- A moto entra pelo regime de Admissão Temporária (entrada provisória).
- Na fronteira, a Aduana e a PDI exigem:
- documento de identidade (RG ou passaporte);
- CNH válida;
- CRLV original (documento de propriedade);
- SOAPEX (Seguro Obligatorio de Accidentes Personales para Vehículos Extranjeros) vigente.
- Se a moto não está no nome de quem conduz, é necessária uma autorização com firma reconhecida, de preferência apostilada.
- O veículo fica registrado para circular durante o prazo de permanência do turista.
3. Pilotar no país
- A CNH brasileira vale para turistas durante a permanência, de até 90 dias.
- A PID (Permissão Internacional para Dirigir) não é obrigatória, mas recomendamos levá-la, porque facilita em fiscalizações e locadoras.
- A versão digital da CNH pode não ser aceita, então leve a física.
- O acordo de reconhecimento de habilitações entre Brasil e Chile foi assinado, mas ainda não vigora plenamente para conversão simplificada. Ele vale principalmente para residentes.
4. Seguros pessoais
- Seguro de saúde ou de viagem não é obrigatório para entrar no Chile.
- Recomendamos fortemente contratar um. O sistema público de saúde não atende turistas gratuitamente, e o atendimento particular é caro.
5. Seguro da moto
- O SOAPEX é obrigatório para qualquer veículo com placa estrangeira, motocicletas incluídas, que circule no Chile.
- Ele cobre morte, invalidez e despesas médicas de pessoas envolvidas em acidente (motorista, passageiros e terceiros). Não cobre danos ao veículo.
- Deve ser contratado antes da entrada, online por seguradoras chilenas ou por intermediárias no Brasil. Sem o SOAPEX, a Aduana não libera o veículo.
- A Carta Verde (Mercosul) não substitui o SOAPEX.
6. Equipamentos específicos
- O casco é obrigatório para piloto e garupa.
- Não há exigência nacional generalizada de colete refletivo para motociclistas, ao contrário do Uruguai e do Paraguai. Recomendamos muito o uso, principalmente em estrada e à noite.
- Luzes acesas, espelhos e freios precisam estar em bom estado.
- Em algumas regiões de montanha (Andes), equipamentos adicionais podem ser exigidos, como correntes para neve em certas épocas e rotas.
7. Exigências sanitárias
- Nenhuma vacina é obrigatória para brasileiros, nem a de febre amarela, nem a de Covid-19.
- Não há exigência de teste PCR nem de declaração de saúde.
- Recomendamos manter as vacinas de rotina em dia.
8. Outras exigências
- A declaração de produtos de origem animal e vegetal no SAG (Servicio Agrícola y Ganadero) é obrigatória na fronteira terrestre. Dá para fazê-la online antes da viagem.
- Comprovação de meios financeiros e de hospedagem pode ser pedida.
- Nas fronteiras andinas (como Cristo Redentor / Los Libertadores), verifique as condições climáticas e o horário de funcionamento, porque a passagem pode fechar por neve.
9. Observações
- O SOAPEX é o item mais crítico para entrar com moto. Sem ele, a Aduana não libera o veículo.
- As rotas terrestres do Brasil até o Chile são limitadas, principalmente pelo sul, via Argentina, ou por pontos como a região de Punta Arenas. A maioria dos brasileiros cruza pela Argentina (Cristo Redentor).
- Leve sempre os documentos físicos (RG, CNH, CRLV e SOAPEX impresso).
- O Chile é rigoroso com a documentação e com as condições do veículo. Multas e retenção são comuns em caso de irregularidade.
ATENÇÃO: as informações podem mudar, então confirme nos sites oficiais perto da data da viagem. E lembre-se: VOCÊ é o responsável pelo sucesso de sua viagem!
Fontes principais que consultamos
- Consulado-Geral do Brasil em Santiago: https://www.gov.br/mre/pt-br/consulado-santiago/condicoes-de-viagem/documentos-para-ingresso-no-chile
- Servicio Nacional de Migraciones (Chile)
- Lei de Trânsito chilena (art. 60) e Decreto Supremo 151 (SOAPEX)
- CMF / seguradoras oficiais sobre SOAPEX
- SAG (declaração de produtos)
- Orientações da Subsecretaría de Transportes sobre habilitação de estrangeiros



