Viajar de moto para outro país exige alguns cuidados que começam muito antes de cruzar a fronteira. Documentos pessoais, habilitação, seguros e exigências para circulação da motocicleta podem variar de um destino para outro.
Para facilitar seu planejamento, reunimos neste guia as principais informações sobre o que é necessário para viajar de moto à Argentina, evitando surpresas que possam comprometer sua viagem.
Atualizamos estas informações com base em fontes oficiais e de grande circulação até outubro/2026. As normas podem mudar, então recomendamos confirmar tudo na hora de viajar.
1. Entrada no país por via terrestre
- Brasileiros não precisam de visto para entrar como turistas.
- Basta o RG brasileiro (emitido há menos de 10 anos e em bom estado) ou o passaporte válido.
- A imigração pode pedir alguns comprovantes. Nem sempre pede, mas recomendamos ter todos à mão:
- hospedagem (reserva de hotel ou carta-convite);
- passagem ou comprovante de retorno;
- prova de solvência financeira (extratos bancários, cartão de crédito etc.).
- A permanência é de até 90 dias, prorrogável por mais 90.
- Desde o Decreto 366/2025 (maio/2025), estrangeiros devem declarar que têm seguro de saúde. A regulamentação ainda não vale por completo em todos os postos, mas a recomendação oficial é ter o seguro.
2. Entrada com a motocicleta
- A moto entra pelo regime de Admissão Temporária, válido para veículos do Mercosul.
- Na fronteira, é preciso apresentar:
- documento de identidade válido (RG ou passaporte);
- CNH brasileira válida, na categoria da moto;
- CRLV ou título equivalente de propriedade;
- comprovante de seguro com cobertura no Mercosul (Carta Verde);
- documento de status de turista (carimbo de entrada).
- Se a moto não está no nome de quem conduz, é necessária uma autorização do proprietário com firma reconhecida, de preferência com Apostila de Haia.
- O prazo da moto no país acompanha o prazo migratório do condutor, geralmente até 8 meses, e pode ser renovado conforme a estadia.
3. Pilotar no país
- A CNH brasileira vale na Argentina (acordo Mercosul).
- Brasileiros não precisam da Permissão Internacional de Direção (PID).
- As leis de trânsito argentinas valem para todos, inclusive para turistas.
4. Seguros pessoais
- O seguro de saúde ou de assistência ao viajante é obrigatório por declaração (Decreto 366/2025). As autoridades argentinas o recomendam com força, e nós também.
- Sem ele, o atendimento não emergencial em hospitais públicos nacionais pode ser cobrado.
- A lei não fixa um valor mínimo de cobertura, mas convém contratar algo adequado. Muitos viajantes escolhem a partir de US$ 20.000 ou US$ 30.000.
5. Seguro da moto
- A Carta Verde (Seguro de Responsabilidade Civil Mercosul) é obrigatória.
- Ela cobre danos a terceiros (pessoas e bens) nos países do bloco.
- Deve ser contratada no Brasil, antes da viagem. Muitas seguradoras brasileiras a emitem.
- Ela não substitui o seguro completo da moto, que cobre roubo, danos próprios etc.
6. Equipamentos específicos
- Em algumas jurisdições, principalmente na Cidade de Buenos Aires e na Província de Buenos Aires, o garupa deve usar colete refletivo com o número da placa impresso (frente e verso). Em algumas localidades da Província de Buenos Aires, o piloto também deve usar.
- Em nível nacional, a exigência se resume ao capacete. Luvas, jaqueta e afins são recomendados, mas não obrigatórios.
ATENÇÃO: as normas do colete refletivo são de trânsito local e, em tese, valem para qualquer moto que circule nas vias públicas dessas jurisdições, independentemente da nacionalidade da placa ou do condutor. Na prática e na documentação oficial, não encontramos nenhum texto que diga que a regra vale também para veículos estrangeiros em admissão temporária (turistas). Também não encontramos nenhuma menção oficial de isenção para turistas ou veículos do Mercosul. Sugerimos levar o colete na bagagem se o roteiro passar por Buenos Aires, já que o investimento é baixíssimo.
7. Exigências sanitárias
- Nenhuma vacina é obrigatória para brasileiros entrarem na Argentina, nem a de febre amarela, nem a de Covid-19.
- A febre amarela não é cobrada na fronteira, mas a vacina é recomendada para quem vai a áreas de risco em países vizinhos ou a certas regiões do norte argentino.
- Não há exigência de teste PCR nem de comprovante de vacinação contra Covid-19.
8. Outras exigências
- A imigração pode pedir comprovante de hospedagem, prova de meios financeiros suficientes e comprovante de saída do país. Nesse caso, o agente pode questionar o roteiro inteiro.
- Não é obrigatório ter reserva de hotel paga antecipadamente, mas ela ajuda.
9. Observações
- O controle na fronteira terrestre varia conforme o posto e o agente. Leve sempre os documentos originais e cópias.
- A falta da Carta Verde ou do seguro de saúde é o que mais gera problemas.
- Em caso de dúvida no posto fronteiriço, a palavra final é do agente de imigração ou aduana.
- Recomendamos levar os documentos digitalizados em nuvem e também impressos.
ATENÇÃO: as informações podem mudar, então confirme nos sites oficiais perto da data da viagem. E lembre-se: VOCÊ é o responsável pelo sucesso de sua viagem!
Fontes principais que consultamos
- Consulado da Argentina em Recife (Cancillería): https://creci.cancilleria.gob.ar/es/sobre-entrada-na-argentina-turistas-brasileiros
- ARCA (ex-AFIP), Vehículos MERCOSUR: https://www.arca.gob.ar/viajeros/ayuda/vehiculos-MERCOSUR.asp
- ARCA, Viajeros: https://www.arca.gob.ar/viajeros/ayuda/otros-paises.asp
- Site oficial Argentina.travel (turismo): https://www.argentina.travel/novedades/documentacion-necesaria-para-turistas-brasilenos-que-ingresan-a-la-argentina
- Decreto 366/2025 (seguro de saúde) e referências de consulados argentinos
- Consulado argentino em Florianópolis (documentação veicular MERCOSUR)
- Lei Nacional de Trânsito argentina (casco e colete refletivo)
- Notícias e orientações de grande circulação (Estadão, sites especializados em viagem de moto e seguros Mercosul)



